A questão indígena no Brasil

8 de abril de 2012

Por Nando Poeta

A História oficial

Contada por dominantes.

Os índios são uns bandidos

Perigosos habitantes.

Que não gosta do trabalho

Da preguiça, praticantes.

 

Os brancos nas Caravelas

Armados até os dentes.

Desembarca impondo a força

Esmagando as sementes.

E que as terras e riquezas

Agora são seus presentes.

 

Em troca os Brancos lhe davam

Espelhos, vários tecidos.

Canivetes para o corte

Aos índios são prometidos.

Mas bala e arma de fogo

De um lado faz os feridos.

 

É preciso conhecer

O outro lado da história.

Em que europeus cruéis

Esmagou,matou memória.

Praticando genocídio

Essa foi à trajetória.

 

O índio teve seu sangue

Na América derramado.

Estupros, furtos, massacres

De um povo humilhado,

Atacados cruelmente

Um a um assassinado.

 

As terras foram invadidas

Por espanhóis, portugueses.

Também se sentiram donos

Muitos piratas franceses.

Adoçaram sua riqueza

Em seguida os holandeses.

 

A chamada descoberta

Foi uma pura invenção

Dos tais colonizadores

Que fizeram a invasão.

Afirmando para todos:

- Somos civilização.

 

Já chegaram à terra alheia

Desmatando a floresta.

Dizendo que o nativo

Era selvagem e não presta.

E que agora o europeu

Será dono do que resta.

 

Trouxeram nas caravelas

Suas balas, seus canhões.

Disposto a exterminar

Aquelas populações.

Os índios têm suas vidas

Roubadas pelos ladrões.

 

Todas as tribos indígenas

Em combate desigual.

Sofreram grandes ataques

Na sua terra natal.

Expulsos, e massacrados

Tiveram um ponto final.

 

Para garantir domínio

Trouxeram a religião

Que rezava pra ter força

Com a catequização.

Acobertaram os crimes

Dessa colonização.

 

Com arco, flecha e canoa

O índio é habilidoso.

Na dança e pintando o rosto

No combate, corajoso.

Com a fauna e a flora

Sempre muito harmonioso.

 

O índio em nosso país

Tem sido tão maltratado.

A sua vida, cultura

Se deixa sempre de lado.

O habitante indígena

Precisa ser respeitado.

 

Legitimo filho da terra

Resistiu ao invasor.

Do falso descobrimento

Feito pelo explorador.

Da riqueza do Brasil

Extraíram seu valor.

 

Plantaram em nossas mentes,

Que o índio é preguiçoso.

Foge, corre de serviço

Passando o tempo ocioso.

Que querem tudo nas mãos

Além de ser perigoso.

 

Ao contrário é defensor

Da mata, da natureza.

Amigos dos animais

Os tratam com sutileza.

Querer ter a liberdade

É a sua fortaleza.

 

A morada na aldeia

Tem tarefa dividida.

O que se planta e se colhe

Seja pesca outra comida.

Por toda gente que habita

Igualmente é repartida.

 

Cuidar de filhos, plantar

Das mulheres é sua parte.

O homem com caça e pesca

Se pintam com muita arte.

Guerrear com arco e flecha

È sempre seu baluarte.

 

A choupana é o abrigo

Na tribo é a morada.

Tem oca grande, pequena

E é coletivizada.

A comunidade indígena

Assim é organizada.

 

Para curar tem pajé

A reza faz ao tupã.

O Cacique é governante

É o chefe maior do clã.

Respeito à comunidade

Seja jovem ou anciã.

 

No seio da natureza

Em busca do alimento.

Caça tatu, paca e anta

Pra pescar tem um talento.

Com plantas e as raízes

Faz remédio, tratamento.

 

O ar, água e os bichos

É um bem muito sagrado.

A terra, toda floresta

É um diamante amado.

E o morador da mata

Deve ser valorizado.

 

Contribui enormemente

Na formação da cultura.

Com as plantas da floresta

Doença muito se cura.

Produz pra subsistência

Em simples agricultura.

 

A dança faz o festejo

Ao som de um maracá.

No barulho do instrumento

O toré chega por lá.

Na roda só alegria

No toque de um ganzá.

 

Aruaque e macro-jê

Língua tupi-guarani,

Caribe, pano, tucano

Nambiquara, cariri

Se fala ianomâmi

O monde e maxacali.

 

Cana-de-açúcar, algodão

Jerimum, pimenta e fava,

Banana, tabaco, milho

Sempre na mata encontrava.

Inhame, batata-doce

Dava na terra tão brava.

 

Para saquear a mata

Cortando foi à madeira.

No solo a mineradora

Rouba fazendo carreira.

Fazendeiro, industrial

Em nossa terra faz feira.

 

As tribos de índio sofrem

Da horrenda violência.

São vitima da exploração

Sofrendo a ingerência.

De tiranos estrangeiros

Que atua com virulência.

 

Nas terras que foram dele,

Hoje é toda tomada

Pelo grande latifúndio

Por ele é explorada.

Impondo a ferro e a força

Não sobra um pouco de nada.

 

O nativo usando a flecha

O rico de arma de fogo.

As tribos são dizimadas

Europeu vencendo o jogo.

Madeira cortada ao tronco

Pelo branco demagogo.

 

Muito foram os transtornos

Existentes na aldeia.

Diarréia, epidemia

Doença pegou na veia.

Deixando a fome bater

Na toca, na sua ceia.

 

Os comedores de terras

Grilam e planta o garimpo.

Expulsa o índio afirmando

Que agora o chão será limpo

Acumulando a riqueza

Na altura do Monte Olimpo.

 

O conflito pela posse

Tem sido muito acirrado.

A luta por território

Deve estar bem no tratado.

Cada pedaço de chão

Merece ser demarcado.

 

A demarcação da terra

Precisa ser garantida.

Proteger a fauna e flora

Para não ser destruída.

É trilhando esse caminho

Que se defende a vida.

 

Não tem tempo que apague,

A dor do seu sofrimento.

Quando o colonizador

Espalhou o seu tormento.

Escravizando, matando

Deixando ressentimento.

 

Pra o viver ser defendido

O costume, a liberdade.

As nossas tribos indígenas

Enfrentam brutalidade.

Onde sua resistência

Foi buscar dignidade.

 

Hoje as comunidades

Indígena em nosso país.

Vive em total abandono

Tomam balas de fuzis.

A demarcação é farsa

Viver ficar pelo um triz.

 

O Brasil eram dos índios

Com mais de cinco milhões.

Hoje foram reduzidos

Existem poucas nações.

Fruto de ataques brutais

Dos brancos com seus canhões.

 

E na atualidade

Sofrendo a violência.

Sem terra para plantar

Para a sobrevivência.

No vicio do alcoolismo

Vive com muita carência.

 

As políticas dos governos

Só reforça o sofrimento.

Desprestigiando o índio

Que morre no seu lamento.

Sem ter direito algum

Fica jogado em relento.

 

A dívida com os indígenas

Até hoje ela existe.

E a falta de interesse

É coisa que se persiste.

Vivendo em total desprezo

Lutando muito resiste.

 

Em nossa sociedade

Se deve ter consciência.

Que os Índios e seus costumes

Para nós é referência

De se viver no respeito

Sem cometer truculência.

 

Queremos fazer justiça

A um povo espoliado.

Que durante vários séculos

Por dominante esmagado.

Seu levante no presente

É para ser libertado.

 

E que todo governante

Compreenda a mensagem.

Que os direitos indígenas

Não tenha falsa roupagem.

Já se perdeu muito tempo

Ao longo dessa viagem.

 

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